Rafael Morado – Splinter Cell: Blacklist

Essa entrevista foi originalmente publicada na PlayTV em 01/08/13

Fonte: http://www.playtv.com.br/games/artigo/entrevista/entrevistamos-rafael-moradoprodutor-da-ubisoft

Na terça-feira, dia 30 de julho, conversamos com Rafael Morado, funcionário da Ubisoft Montreal que trabalhou no Splinter Cell: Blacklist. Morado, natural de Belo Horizonte, está na Ubisoft há sete anos e saiu do Brasil em 2003 quando buscou uma formação específica em Game Design na França.

Passei três anos, estudando em mestrados que foram especificamente sobre game design e interatividade. Sou formado em Publicidade e Comunicação. Trabalhei muito tempo como editor de vídeos e como redator em agência de publicidade, que de certa forma é uma experiência que ajuda.

Durante nossa conversa com Morado, ele nos mostrou uma demo de oito minutos de Splinter Cell: Blacklist. O que vimos foi o início de uma missão que se passa no Paraguai, quando Sam Fisher se infiltra em uma casa de um negociante de armas. O agente secreto está buscando informações sobre a Blacklist, organização terrorista que dá o nome a essa edição da série Splinter Cell.

Antes do início da missão vimos uma cena que se passa no avião que serve de quartel-general do Quarto Echelon. Essa é a organização secreta anti-terrorismo da qual Sam Fisher se torna diretor após os eventos de Splinter Cell: Conviction.

No final do Conviction ele salva o presidente. Então, ele pára de ser um renegado, dado que durante todo o Conviction ele estava afastado, indo contra a própria NSA [National Security Agency]. Agora (no Blacklist) ele volta, o presidente cria o Quarto Echelon e dá a comissão para ele. Não tem mais ninguém dando comando para ele. Ele é o chefe, diretor e é um agente. Então, ele resolve tudo.

Blacklist-2
Nada como uma boa e velha arma na cabeça para conseguir algumas respostas

 

Sobre os outros personagens que ajudam Sam Fisher, Morado explica: Ele tem o pessoal do suporte, a Grimm, o Charlie, o Kobin (personagem que age como espião duplo, da mesma forma que no Conviction) e o Briggs, um novo agente e o personagem com quem você joga no co-op. As fases co-operativas são online e nelas você jogará, pela internet, com um amigo para passar por algumas missões. Tem missões que são exclusivas para co-op, tem missões que são single ou co-op.

Dentro do avião, você pode selecionar os equipamentos que usará em suas missões. Existem várias armas e dispositivos tecnológicos disponíveis para você adquirir, sendo que o número de gadgets aumenta conforme sua progressão. A sede aérea do Quarto Echelon é onde você faz os preparativos necessários para começar as missões, escolhendo os equipamentos que julga serem mais apropriados ao tipo de missão e ao seu estilo de jogo.

Agora que Sam é o líder do Quarto Echelon, o que não falta são recursos tecnológicos
Agora que Sam é o líder do Quarto Echelon, o que não falta são recursos tecnológicos

Além de preparar seu equipamento, também é possível decidir qual missão aceitar. Dentro do avião, você tem várias missões. Há missões que seguem a história, no modo campanha, você tem missões pro Charlie, você tem missões para a Grim que vão te dar upgrades para o avião ou para os equipamentos.

O jogo identifica o desempenho do jogador e reconhece seu estilo de jogo em três modos, dando conquistas e recompensando com dinheiro suas ações ao passar pelas fases. Os estilos de jogo são: Ghost (focado em infiltração na surdina e abordagem não letal), Panther (silencioso e mortal) e Assault (modo onde você entra atirando e a discrição é deixada de lado).

Quanto ao design, o jogo oferece três diferentes estilos de abordagem, Morado comenta: A gente queria abrir o leque de opções pro jogador poder fazer como ele quisesse e que o jogo reconhecesse isso. Colocamos no gameplay o que o Sam faz na narrativa do jogo, tomando qualquer meio necessário parar deter a Blacklist.

Sam Fisher no estilo Panther também conhecido como o famoso "Fatiou Passou"
Sam Fisher no estilo Panther também conhecido como o famoso “Fatiou Passou”

Após Morado selecionar seu equipamento, ele dá início a missão e diz que tentará fazer essa fase o mais escondido possível, seguindo uma abordagem mais voltada para o perfil Ghost. Com a experiência de quem já testou Blacklist muitas vezes, o produtor não decepcionou e conseguiu chegar a seu objetivo final com menos de três mortes, uma delas de um cachorro, um adversário que em qualquer jogo deste tipo nunca deve ser subestimado.

Os dispositivos que mais nos intrigaram foram a sticky-cam (Câmera pegajosa) e uma espécie de “mina” elétrica. O primeiro equipamento foi usado por Morado em um guarda que sofreu um mata-leão. Um segundo guarda viu seu colega no chão e quando chegou perto para ver o que tinha acontecido, foi desacordado pela mina que soltou um choque. O segundo equipamento que destacamos foi a sticky-cam. Mais do que uma simples câmera, ela é um gadget que solta dardos, gás sonífero, emite um barulho para chamar os guardas (e cachorros) além de ter uma câmera embutida.

Durante o tempo que passou trabalhando em Splinter Cell: Blacklist, Morado passou a maior parte de seu tempo focado no desenvolvimento do multiplayer do jogo. Quando perguntado sobre esse modo de jogo, o produtor responde: Era o que o pessoal mais sentiu falta no Conviction. Foi o que a comunidade e os reviews reclamaram um bocado e com razão. Realmente não deu tempo de fazer da outra vez.

O multiplayer do novo Splinter Cell se chamará Spy vs. Merc e terá dois modos: Classic e Blacklist. As partidas serão divididas em duas sessões onde dois times, um de espião contra um de mercenários, irão se enfrentar. Os espiões devem hackear alguns totens de informação e os mercenários devem impedir que isso aconteça. Na primeira sessão, um time controlará os espiões que jogam com uma visão em terceira pessoa, facilitando a eles verem seus arredores. Já na segunda partida, os times trocam de lado e quem estava como espião agora jogará como mercenário e verá tudo em primeira pessoa.

No vídeo abaixo, você confere a primeira parte de uma sessão do Multiplayer de Spy vs Merc.

Morado comenta sobre o desenvolvimento desse modo de jogo: No Spy vs. Merc usamos a referência do multiplayer do Pandora [Pandora Tomorrow, segundo título da franquia]. O Gunther Galipot, diretor criativo do primeiro Splinter Cell e diretor do multiplayer do Pandora Tomorrow, veio para Montreal para ser o game director do Multiplayer.

O processo de desenvolvimento do Multiplayer foi o que ele passou mais tempo trabalhando. A gente começou a fazer um monte de coisa, mudou o jogo e foi inventando novidades tanto para o modo mercenário quanto para o spy. Morado continua e fala sobre as peculiaridades das classes. Demos habilidades, como por exemplo o spy fica invisível, o mercenário tem o drone que pode explorar o cenário e tal. É quatro contra quatro, com mais gente jogando. A gente estava gostando muito mas percebemos que estávamos perdendo a experiência do Pandora que queríamos recriar.

O produtor fala sobre o modo clássico do Spy vs Merc e suas diferenças para o modo Blacklist do multiplayer. “Então a gente fez o modo clássico, de dois contra dois. Você não tem capacidade de personalizar seu personagem. O equipamento que você tem é pré-definido, mais limitado e é o que a gente chama de Spy vs Merc Classic que recria aquela experiência antiga.

Os dispositivos que tanto os mercenários quanto os espiões utilizam no modo multiplayer são bem próximos aos que Sam Fisher usa na campanha. Questionamos Morado sobre como será a mudança desses gadgets para o Multiplayer. Por exemplo, a sticky-cam [explicado acima]. Na campanha, ela tem o botãozinho para atrair, ela solta um gás do sono e faz uma flecha. O gás do sono pra gente não adiantava no multiplayer. Então, ao invés dela fazer um barulhinho ela dá um ping no radar. Quando você possui um radar em que possa ver o movimento dos espiões, essa câmera cria um ping falso para um mercenário ser atraído achando que é um spy. E ao invés dela soltar o gás do sono, ela explode matando o mercenário que estiver perto.

Imagem do modo Spy vs. Merc no melhor estilo beijo na chuva do filme do Homem Aranha
Imagem do modo Spy vs. Merc no melhor estilo beijo na chuva do filme do Homem Aranha

Ao final de nossa conversa, questionamos o produtor sobre como funcionará o processo de achar partidas multiplayer, para garantir que as partidas sejam entre pessoas na mesma região. O brasileiro respondeu. Uma das primeiras coisas que a gente vai selecionar para matchranking é o ping. A partir de 500 mili-segundos de ping não dá para jogar com o cara. Tem meio segundo de diferença, o que dá uma diferença de posição de seis, sete metros. E seis, sete metros num jogo de tiro você não consegue jogar com a pessoa. Vai ficar todo mundo teleportando de um lado pro outro. Além disso, olhamos também o nível procurando colocar uma pessoa do mesmo nível do jogador. Provavelmente quando você for no ‘Find me a Game’, será com alguém perto do seu país.”

Apesar de não estar na versão de pré-venda, Blacklist para Wii U também será lançado no Brasil. Quando foi questionado sobre as diferenças na jogabilidade para essa versão, Morado detalhou algumas delas. Tem um monte de coisa bacana que a gente fez no Gamepad, como marcar os inimigos tocando na tela, o controle da câmera do drone é super bacana, tem umas sacadinhas legais. Quando foi questionado sobre a dublagem do jogo, Morado não sabia de detalhes da localização do jogo para o Brasil. Mas, assim como nós, ele está curioso para saber como ficou. Infelizmente, eu não tenho informação da dublagem, . Sei que ela está rolando, fiquei sabendo quando cheguei (aqui no Brasil) e eu queria ver.

Splinter Cell: Blacklist será lançado para Xbox 360, Playstation 3, PC e Wii U no dia 23 de agosto de 2013. O jogo estará totalmente em português.

 

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