Sherlock Holmes: Crimes and Punishments

Análise originalmente publicada na PlayTV em 30/09/14

http://www.playtv.com.br/games/analise/sherlock-holmescrimes-and-punishments


 

NOTA: 9/10

(+) Estrutura de investigação

(+) Possibilidade de condenar um inocente e seguir para o próximo caso

(+) Toby, o melhor nariz do império britânico

(−) Repetitividade em diálogos secundários

(−) Algumas paredes invisíveis que atrapalham a exploração

(−) Watson insiste em ficar no caminho

 


Crimes & Punishments é o oitavo título produzido pela Frogwares protagonizado pelo detetive britânico fictício. Nesse ótimo jogo de investigação, você controla Sherlock Holmes e deve usar lógica para resolver seis casos. Além de usar as habilidades do detetive para achar os culpados, você deve confrontar suas escolhas caso incrimine a pessoa errada.

Um jogo mandatório para fãs de Sherlock Holmes 

Gosto muito desse personagem, desde a primeira vez que assisti O Enigma da Pirâmide (Young Sherlock Holmes, no original de 1985). Anos após esse primeiro contato com Holmes, houveram várias interpretações do morador do apartamento 221 B da Rua Baker. Mais recentemente, temos os longas com Robert Downey Jr. e Sherlock, a excepcional série da BBC que catapultou Benedict Cumberbatch ao estrelato. Cabe também uma menção honrosa ao Mr. Holmes, filme que estreia ano que vem com Ian McKellen responsável por interpretar um Sherlock aposentado que relembra alguns casos de sua vida.

Durante todo esse tempo consumindo filmes e livros inspirados nas aventuras do detetive e seu amigo médico, nunca senti que houvesse um jogo que conseguisse capturar com maestria a essência do personagem e de suas particularidades.

Não há outra palavra senão êxtase para descrever meu sentimento enquanto jogava Crimes and Punishments, por finalmente alguém conseguir reproduzir como é o sentimento de conduzir uma investigação sendo Sherlock Holmes em uma Londres vitoriana. Você possui duas habilidades especiais no jogo que podem ser usadas a qualquer momento de sua investigação. Uma delas é a observação – uma espécie de Visão Aquilina de Assassin’s Creed – enquanto que a outra é a imaginação que permite que Holmes use de seu grande intelecto para conceber o improvável, visualizando assim situações quase impossíveis ou ordenando a ordem em que elas aconteceram.

Elementar, meu caro Watson 

Uma mecânica muito interessante aqui é a necessidade do detetive consultar seu arquivo pessoal. Os mais puristas podem considerar isso inadmissível por desvalorizar um pouco a incrível inteligência de Holmes, mas a verdade é que esse detalhe torna o personagem mais crível além de funcionar muito bem para resolver os casos. Para adquirir algumas informações, você deverá voltar ao apartamento da Rua Baker para achar pistas em jornais, enciclopédias ou artigos científico. Vale notar que essa pesquisa possui inúmeras referências às obras de Conan Doyle, como a que está destacada na imagem acima, nome da primeira aventura publicada pelo autor.

O famoso detetive não usa apenas de sua incrível biblioteca de referências para conduzir suas investigações. Antes de falar com as testemunhas, Holmes pode notar detalhes das pessoas e fazer deduções sobre elas. Por exemplo, um jovem com mãos calejadas e uma roupa cara com remendos indica que ele era de uma família rica e foi forçado a trabalhar recentemente. Em outras ocasiões, ele terá até que se disfarçar para investigar uma pista.

O sub-título desse jogo é uma referência direta ao livro “Crime and Punishment” escrito pelo autor russo Fyodor Dostoyevsky, em que o foco dessa obra são a angústia mental e dilemas morais de um jovem russo sobre a decisão de cometer um homícidio.

Tanto dilema quanto angústia estão presentes no jogo, mas em uma outra forma. Ao concluir sua investigação e reunir todas as evidências, você deve acessar o “menu de solução”, onde é exibido uma espécie de mapa mental. Nessa seção, você deve conectar pensamentos e algumas interpretações para chegar à uma conclusão sobre o caso e prender ou absolver o suspeito.

Mesmo sendo o famoso Sherlock Holmes, é possível errar em sua lógica e condenar a pessoa errada. Em paralelo, o aspecto que mais me irritou ao jogar L.A. Noire foi a impossibilidade de mudar sua escolha em uma decisão no interrogatório. Por mais que, em teoria, o objetivo era fazer com que você passasse pelo caso novamente – explorando assim as outras respostas – o resultado na prática foi apenas frustração. Felizmente, esse sentimento não existe no título desta análise, já que você pode alterar sua decisão antes de dar o caso como encerrado. Caso queira, é possível checar imediatamente a quantidade de pistas coletadas e se o acusado foi o criminoso de verdade quando estiver prestes a terminar o capítulo. Quando estiver pronto para fazer isso, os saves daquela parte serão deletados e você parte para o próximo mistério.

Se você colocar a pessoa errada atrás das grades, terá que viver com essa decisão através dos “ecos”, manchetes em jornais ou cartas sobre as repercurssões do ocorrido, relembrando como você falhou ao fazer um inocente pagar pelo crime que não cometeu. Além de servir como sub-título, é possível observar Sherlock lendo a obra russa enquanto ele está em uma carruagem, se movimentando da Scotland Yard até a cena do crime, por exemplo e como pode ser visto na primeira imagem desse texto.

Além de observar Watson e Holmes apertados na carruagem, durante esses momentos – que servem para disfarçar o carregamento do próximo cenário – você poderá acessar seu caderno, o menu que reúne todas as informações: próximas tarefas, locais disponíveis, pistas, perfil dos suspeitos, log de diálogos, documentos, ecos e souvenirs que Holmes coleciona ao término do caso.

Entre as atividades que deverão ser realizadas para coletar pistas estão explorar itens (como pertences dos suspeitos) por pistas, resolver quebra-cabeças para arrombar fechaduras ou juntar pedaços de informações e comprovar hipóteses sobre o caso. Por exemplo, uma pessoa que nunca usou um arpão para caçar baleias conseguiria impalar uma pessoa com força suficiente para deixá-la presa na parede? Acredite ou não, mas o resultado desse experimento é imprescindível para a investigação.

Outro aspecto interessante é que o game consegue usar QTE (Quick Time Events) de uma forma inteligente. Em alguns diálogos, você terá a opção de confrontar afirmações de testemunhas. Ao fazer isso, será exibida uma lista de opções e você deverá escolher a resposta correta, mas ela não é uma escolha óbvia e será necessário pensar para acertar. Caso erre, a escolha volta ao início. Em outros QTE’s, você deverá ter reflexos rápidos – ao melhor estilo The Walking Dead da Telltale – para resolver cenas de ação. Se você for péssimo com puzzles ou mesmo com eventos de ação, poderá pulá-los e só acompanhar o jogo pela narrativa.

As seis aventuras presentes em Crimes & Punishments são diferentes entre si, sempre trazendo uma novidade de um caso para o próximo, surpreendendo com a rica ambientação dos cenários e das histórias por trás dos mistérios. Esse game desafia o intelecto do jogador na medida certa e oferece uma excelente simulação de como é ser o detetive mais famoso do mundo.

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