The Evil Within

Análise originalmente publicada na PlayTV em 06/11/14

http://www.playtv.com.br/games/analise/project-zwei


 

NOTA: 9/10

(+) Design de personagem dos inimigos, principalmente dos chefes

(+) Clima de tensão envolvente conforme o desenrolar da história

(+) Performance do elenco de dublagem

(+) Forma não linear como a história é apresentada

(−) Bugs, presentes principalmente nas versões para Xbox One e PC

(−) Tarjas pretas “estéticas” que simulam o efeito wide

 


 

Conceba a ideia de que cada videogame é uma pessoa. Agora imagine o resultado de um experimento ao criar uma quimera, uma mistura bizarra que reúne os avatares de Resident Evil 4, P.T., Outlast e Silent Hill 4. Essa abominação que você acaba de vislumbrar em sua mente talvez seja a melhor descrição para o que é The Evil Within.

O criador ao gênero que deu origem torna 

É praticamente impossível falar desse game sem mencionar Shinji Mikami, um dos criadores da franquia Resident Evil que é considerado por muitos como o “pai do survival horror”. A empresa que assina o produto analisado aqui é a Tango Gameworks, softhouse fundada por ele em 2010 e adquirida pela ZeniMax Media no mesmo ano.

A Tango faz parte do grupo de desenvolvedoras subsidiárias da ZeniMax juntamente da Bethesda, Arkane Studios, id Sofware e Machine Games. Lançado em 14 de outubro, The Evil Within é o projeto de estreia da empresa liderada por Mikami.

Reviravoltas, homenagens e surpresas

A história tem início com uma estranha ocorrência recebida pela equipe de investigadores de Krimson City composta pelos detetives Sebastian Castellanos (Anson Mount), Juli Kidman (Jennifer Carpenter que interpreta a irmã de Dexter) e Joseph Oda (Yuri Lowenthal). Cabe aqui um elogio ao elenco de dubladores que, além dos nomes já mencionados, conta também com Jackie Earle Haley (Roscharch em Watchmen) como a voz do antagonista Ruvik.

Após diversas mortes inexplicadas em um hospital psiquiátrico, a polícia foi chamada para investigar o acontecido. Mesmo tendo acompanhado as notícias e vídeos desse game, eu fiquei extremamente impressionado com o primeiro capítulo (o jogo possui um total de 15) que serve basicamente como um prólogo e apresenta o tom do que você irá esperar durante toda sua experiência. Exatamente por esse motivo que omitirei o máximo possível sobre o enredo, para não estragar a experiência daqueles que ainda não se aventuraram nessa jornada sombria.

As homenagens prestadas por The Evil Within são muitas para se colocar em um só parágrafo, que vão desde o inimigo se revelando pela primeira vez quase que identicamente como aconteceu no primeiro Resident Evil; se esconder dentro de armários ou embaixo de camas (Outlast), inimigo com serra-elétrica que te mata em um golpe (Resident Evil 4), pisadas capazes de destruir um corpo (Dead Space) são algumas das outras semelhanças.

Momentos de tensão mesmo quando tudo parece bem

Reunir elementos de outros jogos em um já é algo louvável, mas acrescentar algo único à essa mistura torna essa experiência ainda melhor. Fiquei impressionado com o clima de tensão oferecido nesse jogo. Tendo jogado P.T. e Outlast, confesso que fiquei feliz por carregar armas e conseguir melhorar as habilidades do meu personagem como sua vida ou a duração da estamina para correr.

Infelizmente, esse sentimento temporário de alívio dura pouco, pois existem ameaças que são invencíveis além da forma como a história é contada te deixar desconfortável em momentos quando você supostamente deveria relaxar por chegar em um porto seguro. Ao ouvir a melodia característica do local para salvar meu progresso eu ficava momentaneamente feliz, até descobrir que algo estava errado até alí. Casual, Survival, Nightmare e Akumu são os quatro níveis de dificuldade, sendo que os dois últimos só são liberados após fechar o jogo pela primeira vez. Caso faça como eu e opte pela dificuldade Survival ao começar, se prepare para um bom desafio. A munição é escassa e o jogo quase que te obriga a usar os elementos do cenário para passar por algumas partes.

Pessoalmente, não me frustrei nas vezes em que morri porque aprendi com meus erros para superar os desafios propostos; seja um chefe mais complicado ou uma área cheia de inimigos. Sobre os adversários, há uma boa diversidade de monstros que vão desde humanos “corrompidos”, um cachorro gigantesco composto por parte de pessoas ou ainda o Boxman, um oponente com um cofre de metal no lugar da cabeça (tenho certeza que Pyramid Head gostaria de conhecê-lo).

O equilíbrio entre o perturbador e a aquela coceira de curiosidade no fundo do seu cérebro que te deixa inquieto, onde você anseia por descobrir o desfecho da história é o ponto alto de The Evil Within para mim. Esse é um imponente título que se torna um marco na carreira de Shinji Mikami e no gênero que ele ajudou a criar.

Não poderia encerrar essa análise sem postar uma entrevista (em inglês) com Mikami, em que o criador fala mais sobre sua obra.

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