Wolfenstein: The New Order

Análise originalmente publicada na PlayTV em 20/05/14

http://www.playtv.com.br/games/analise/wolfensteinthe-new-order


 

NOTA: 8,5/10

(+) Universo extremamente vasto

(+) Trilha sonora original e impactante

(+) Personagens bem construídos e críveis

(+) Fases concebidas com maestria

(−) Inteligência artificial problemática

(−) Bugs de textura e programação


 

The New Order é o novo capítulo da franquia Wolfenstein, uma das precursoras do gênero de tiro em primeira pessoa. A Machine Games renova a série, mantendo suas origens com um universo extremamente rico, onde o soldado B.J. Blazkowicz volta dos (quase) mortos para retomar o que faz melhor: matar nazistas. Salvar o mundo nunca foi tão divertido e os personagens da resistência fazem com que você se importe com tudo isso.

Um novo e terrível mundo 

Desde seu primeiro anúncio, Wolfenstein: The New Order chamou minha atenção pela concepção de seu universo, uma realidade alternativa em que o mundo se encontra sob um regime nazista. Gosto bastante de quadrinhos, principalmente de arcos E se? (desses, recomendo fortemente o Superman: Red Son). Portanto, é fácil entender o apelo dessa narrativa para mim.

A história tem início com você a bordo de um avião em 1946, durante a Segunda Guerra Mundial. Logo nessa sequência, quando o soldado B.J. Blazkowicz (apelidado de Blasko) deve derrubar naves inimigas para garantir a segurança da esquadrilha aliada, é visível que algo não está certo. Os aviões adversários são muito superiores aos que estão do seu lado.

Os nazistas tiveram acesso à uma tecnologia misteriosa, permitindo que eles avançassem muito seus equipamentos bélicos. Em posse desses armamentos tecnológicos desvastadores, nem mesmo a potência militar norte-americana conseguiu evitar a vitória do terceiro Reich. Os Estados Unidos se renderam aos nazistas em 20 de dezembro de 1948, após uma bomba atômica matar mais de 200 mil pessoas em Nova York.

Nessa realidade alternativa e sombria, Hans Armstark e Emmerich Otto (abaixo) foram os primeiros homens a pisar na Lua, ao invés dos tripulantes da missão Apollo 11, Neil Armstrong e Buzz Aldrin. Esse é só um dos diversos retratos de importantes acontecimentos que foram protagonizados pelos líderes do regime fascista. Essas imagens, sequências, mensagens de voz, são extremamente perturbadoras, o que só contribuiu para a imersão na história e aumenta a empolgação de matar nazistas.

O enredo tem início com Blasko e seu esquadrão em uma missão de infiltração de uma fortaleza alemã, para confrontar o comandante nazista Wilhelm “Deathshead” Strasse, seu nêmesis. Ao final do primeiro capítulos, antes mesmo dos créditos iniciais aparecerem, você irá se deparar com uma difícil escolha que irá lhe acompanhar ao longo do jogo inteiro: salvar Probst Wyatt, um jovem soldado americano com potencial; ou Fergus Reid, um veterano da RAF (Força Real Aérea, o braço aéreo das forças armadas britânicas) pronto para morrer.

Essas escollhas criam linhas temporais paralelas que oferecem benefícios próprios, hackear cofres ou arrombar fechaduras, além de tornar o sobrevivente em um companheiro da resistência ao lado do protagonista. Ao final do prólogo, Blasko é ferido e passa os 14 anos seguintes em um hospital, só despertando em 1960, quando os nazistas já dominam o mundo com punho de ferro. Nesse momento, o soldado catatônico até então, conhece Anya Oliwa, a enfermeira que cuidou dele durante todo esse tempo e a história dos dois tem início.

Alguns bugs e pequenos problemas 

A inteligência artificial de The New Order é problemática. Mesmo na dificuldade normal, durante uma missão de resgate, os nazistas demoravam para me abordar, ou simplesmente ficavam me aguardando parados em seus postos, mesmo com o tiroteio rolando solto. Além disso, ao recomeçar um checkpoint, o comportamento dos adversáios é o mesmo, fazendo com que algumas sequências sejam uma simples questão de tentativa e erro.

Em outras partes, as janelas das construções inimigas são praticamente indestrutíveis.Por diversas vezes, encarnei o camper (me julguem) e tentei atirar sem sucesso pela janela em inimigos parados. Além disso, encontrei também um soldado imortal, (apelidei-o de Hans), e ele era imune a qualquer tiro. Podia descarregar todas as balas dos rifles, lançar granadas e até partir para o ataque corpo a corpo com minha faca, mas Hans sequer se mexia. Considerei a possibilidade dele ter desistido da vida de capanga nazista, e estar apenas pensando no que fazer com sua vida.

O último problema com o qual me deparei foram algumas texturas que simplesmente não estavam lá, como pode ser visto na imagem abaixo. Ao explorar os cenários, encontrei alguns lugares “escondidos” que apresentavam esse bug, que embora seja feio, não impediu meu progresso. A imagem abaixo é a maior evidência desses casos, que insisto, não foram muitos.

A Machine Games pretende consertar essas pontas soltas com um patch de atualização, disponível a partir de hoje (20), com 5 GBs no PS4 e com mais de 7 GBs no Xbox One. Outro ponto importante, é que analisamos a cópia de PS3 do jogo (que ainda não tem previsão de receber o pacote corretivo), o que deixa mais do que claro a diferença gritante entre a geração atual versus os consoles antigos.

Cachorro velho com novos truques 

Esse game marca o nono capítulo da franquia Wolfenstein, desde sua estreia em 1981, para o Apple II. Em 1992, a série alcançou sucesso com o icônico Wolfenstein 3D, a porta de entrada de muitos (inclusive eu) para o gênero de FPS. Matar nazistas, explorar castelos enormes e buscar áreas secretas com munição e proteção são algumas das características desse título que ajudou a moldar jogos de tiro atuais.

A escolha de dificuldade com as quatro opções disponíveis iguais ao título de 1992 é uma das formas que esse jogo respeita seu legado. Outro exemplo em como as origens são respeitadas está na imagem abaixo, um poster preso na parede de sua base de operações.

Ao longo das 16 missões da história, totalizando cerca de 15 horas de duração sendo que você precisará zerar duas vezes para conseguir todos os itens extras, Blazko possui quatro comportamentos possíveis para liberar atualizações para armas, equipamentos e status.

Cada uma dessas opções benefícios (Perks) serão liberadas quando você cumprir requisitos básicos, como por exemplo eliminar soldados arremessando facas ou matar inimigos equanto desliza pelo cenário, uma mecânica divertida mas não muito prática. As linhas que você pode seguir são: Stealth, beneficia a abordagem na surdina; Tactical, atirar inteligentemente atrás de abrigos; Assault, armas em punho; e Demolition, granadas e bombas para tudo que é lado.

Outro aspecto interessante está no uso do mapa do jogo. Por mais que Blazkowicz seja um soldado extremamente habilidoso, ele não é omnisciente a ponto de saber como é o local que ele acaba de entrar pela primeira vez. Você tem que explorar os arredores para achar o mapa e só assim saber como é a região por onde está se infiltrando. Além disso, o soldado pode liberar atualizações para detectar pontos de interesse espalhados pelo cenário, como colecionáveis, upgrades para sua vida e capitães inimigos, que devem ser eliminados na surdina para evitar que reforços sejam chamados.

Por mais que pareça estranho, o que eu mais gostei em Wolfenstein: The New Order, foi sua história, que aliás é uma continuação direta do jogo lançado em 2009. A ambientação dos cenários, campos de concentração (uma das melhores sequência), bases remotas, infiltração submersa, viagens de trem, entre outras, fazem um ótimo trabalho em desenvolver o enredo e cada uma das personagens do jogo.

Se você é fã da série Wolfenstein ou aprecia FPS com uma história envolvente além de simplesmente dinâmicas divertidas, The New Order é uma ótima pedida.

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