Far Cry 4

Análise originalmente publicada no Save Game em 09/01/15

http://www.savegame.com.br/far-cry-4/


Far Cry 4 - interna

Você é um estrangeiro em uma terra estranha. O antagonista mais icônico aparece logo no início de sua aventura e demonstra sua insanidade e selvageria. Após esses eventos, você deve escapar de seu cativeiro e explorar os arredores selvagens, liberando torres de rádio, conquistando postos avançados, completando missões (que por vezes envolvem algum tipo de entorpecente) e, é claro, matando incontáveis inimigos.

Com base nessa breve descrição, as semelhanças entre Far Cry 4 e seu antecessor, lançado há dois anos, ficam bem evidentes. O mercenário Vaas Montenegro dá lugar ao auto-proclamado rei Pagan Min e as ilhas Rook são substituídas pelo país fictício de Kyrat, localizado próximo ao Nepal.

A história do quarto título dessa franquia gira em torno do protagonista Ajay Ghale, um rapaz que quando muito novo deixou seu país natal carregado por sua mãe, em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos. Após o falecimento de sua progenitora, o rapaz volta à uma terra desconhecida, que embora seja o lugar onde nasceu, é uma terra que não lhe pertence… ou assim é o que ele pensa.

Com direito a Should I Stay Or Should I Go do The Clash tocando ao término do prólogo, os primeiros 20 minutos do game são um dos pontos altos de sua jornada, ri alto quando Pagan Min tira uma selfie ao lado de um Ajay atônito como pode ser visto abaixo. Os gráficos, na versão de PS4 que joguei, também impressionam logo de cara com direito a um macaco sapeca com pelos sedosos que se movimentam de forma bem realista.

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Para tirar o elefante da sala análise, quero deixar claro quais foram minhas ressalvas com o jogo antes de partir para as partes que mais me agradaram. O que me irrita profundamente é a fórmula que a Ubisoft utiliza em suas grandes produções desde o primeiro Assassin’s Creed, como pontos de sincronização mandatórios para liberar o mapa completo ou ainda missões secundárias sem profundidade espalhadas por aí focadas apenas em aumentar o tempo do jogo.

Isso só me perturba porque eu gosto muito da Ubi, principalmente da franquia que teve inicio com Altair e alcançou seu ápice com a trilogia protagonizada por Ezio Auditore da Firenze, que é um dos meus personagens preferidos da última década nos games.

Além da paixão que nutro por Assassin’s Creed, as semelhanças entre alguns jogos da empresa me incomoda porque não duvido em algum momento do talento da Ubisoft. Me emocionei demais com Child of Light e Valiant Hearts, e sei que a empresa é extremamente competente, mas acaba sofrendo com sua própria ganância.

Na minha humilde opinião, um ótimo exemplo que serve para mostrar como utilizar uma mecânica já usada ao extremo e evoluí-la está em Shadows of Mordor (que inclusive foi eleito como o melhor Assassin’s Creed do ano passado pelo Uol Jogos), que apesar de ter pontos de sincronização, te oferece o mapa inteiro disponível para exploração desde o início além de não ter tantas missões secundárias.

O que me incomoda em Far Cry 4 é que as partes boas do jogo (aventuras em Shangri-La e missões com Yogi & Reggie) são extremamente divertidas, surreais, belas e quase valem o jogo inteiro, mas perdem seu impacto por estarem diluídas na enorme quantidade de conteúdo mediano oferecido.

O mapa é aproximadamente do mesmo tamanho do titulo anterior, mas ele é mais denso. Você pode subir montanhas usando um gancho de escalada em busca de lugares secretos, caso queira desvendar os vários mistérios escondidos por Kyrat, que incluem máscaras demoníacas e até esqueletos há muito esquecidos de exploradores britânicos.

Entre os itens que você pode procurar estão as páginas do diário de Mohan Ghale, pai de Ajay e um dos fundadores do Golden Path, nome dado para o grupo de resistência que se opõe ao ditador Pagan Min. Ao longo de sua aventura, você ajudará esses rebeldes se infiltrando em fortalezas para eliminar os principais comandantes que ficam em seu caminho até o próprio Pagan Min. Após eliminar todos os soldados, a fortificação será transformada em uma base para o Golden Path, liberando assim um novo posto comercial (e ponto para viagens rápidas) que irá habilitar também novas missões secundárias.

Após se libertar do cativeiro inicial, você encontra Amita e Sabal, duas importantes pessoas da resistência que possuem visões diferentes de como conduzir essa revolta (destruir fábricas de drogas ou usar essas instalações para financiar a guerra, resgatar camponeses ou partir em busca de informações estratégicas, entre outras escolhas). Caberá ao jovem Ajay decidir quem apoiar em missões que darão a liderança temporária do Golden Path para um dos dois e sua opção irá liberar missões diferentes.

As habilidades estão divididas em duas categorias (TigreElefante) e para liberar algumas delas será necessário completar alguns requisitos específicos, como fazer duas missões de corrida ou conseguir uma pele rara de um animal exótico. Além disso, para conseguir itens e armas melhores você deve coletar plantas e peles de animais mortos.

Tenho que admitir que há muito o que fazer em Kyrat, conquistar postos inimigos – versões menores das fortalezas -, corridas radicais contra o tempo financiadas pelo único estúdio cinematográfico do país, animais a serem caçados, liberar os postos (tarefa que pode ser feita online junto de um amigo) ou simplesmente vagar sem rumo certo, apenas apreciando o cenário.

Far Cry 4 é um título com muito a oferecer, principalmente para os apreciadores dessa franquia, e com bons momentos em sua narrativa. Infelizmente, a forma como a história é concluída e a genialidade de haver um “final alternativo” acabam sendo detalhes que são ofuscados por estruturas batidas e saturadas.

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