Hércules

Crítica originalmente publicada na PlayTV em 04/09/14

http://www.playtv.com.br/cinema/artigo/critica/hercules


O longa Hércules que estreia nesta quinta (4) é uma adaptação de Hercules: The Thracian Wars, uma história em quadrinhos criada por Steve Moore em uma parceria com o artista Cris Bolsin e publicada pela Radical Comics. A produção estrelada por Dwayne “The Rock” Johnson possui alguns bons momentos, mas falta coesão para divertir do início ao fim.

Devido à uma questão contratual, Steve Moore – que faleceu em março desse ano – não teria direito a nenhum dinheiro proveniente da arrecadação do longa. Por conta disso, o cultuado escritor Alan Moore (amigo próximo de Steve e autor de Watchmen, V de Vingança, entre outras obras) se pronunciou publicamente e pediu um boicote para o filme. Para saber mais sobre esse assunto, leia a entrevista (em inglês) com ele.

Deixando a adaptação da HQ de lado, a produção cinematográfica é baseada na proposta de contar a verdade por trás da mitologia de Hércules. Os feitos do suposto semideus – como seus doze trabalhos – são aumentados por seu sobrinho Iolaus (Reece Ritchie), que possui o dom da palavra e usa essa habilidade para enfatuar o povo, espalhando a dúvida sobre a possibilidade do protagonista ser uma divindade.

Hercules-clan

Hércules se tornou um mercenário e possui outros integrantes em seu grupo, além de Iolaus, cada um com uma especialidade em combate. Amphiaraus (Ian McShane) é o oráculo; Tydeus (Aksel Hennie) o guerreiro mudo, atormentado por um passado sombrio; Autolycus (Rufus Sewell) exerce a função de ladino e a exímia arqueira Atalanta (Ingrid Bolsø Berdal) fecha a comitiva do herói.

Os serviços dos mercenários se fazem imprescindíveis, quando um conquistador bárbaro ameaça a paz na Trácia. O rei Cotys (John Hurt) chama Hércules e seus amigos para resolverem a situação que preocupa seu reinado, seja em combate ou passando sua sabedoria bélica adiante para um exército despreparado.

O ponto alto da produção está em sua concepção inicial, de abordar aspectos interessantes (e impactantes) na lenda de Hércules, como a loucura que o acometeu após completar suas Doze Tarefas. A desconstrução de um mito tem um imenso potencial criativo, de narrativas alternativas, traçando abordagens verossímeis que expliquem a cultuação da lenda.

Infelizmente, a produção dirigida por Brett Ratner (A Hora do Rush 3) falha em sua promessa inicial e morre no meio do caminho, ficando muito no ar se o fantástico está presente ou não nesse universo. O filme é concluído incoerentemente com o que é acordado com o espectador no começo. A sensação remanescente ao final do longa é a de que os atores e personagens foram extremamente subaproveitados, usados apenas para fechar uma história que não consegue cativar.

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