Annabelle

Crítica originalmente na PlayTV em 07/10/14

http://www.playtv.com.br/cinema/artigo/critica/annabelle


A boneca Annabelle fez sua primeira aparição nos cinemas em Invocação do Mal (The Conjuring, 2013). O amedrontador brinquedo ganha seu próprio longa com a estreia nesta quinta (09) para contar as origens do objeto mais amaldiçoado que já cruzou o caminho dos Warren, a famosa dupla de demonólogos.

O filme se passa na Califórnia no final da década de 1960 e logo no início somos apresentados ao jovem casal composto por Mia (Annabelle Wallis) e John Gordon (Ward Horton), uma simpática dupla que está entediada em um homilia dominical. Uma brincadeira despretensiosa dos dois, durante uma convenção social e religiosa faz com que possamos nos identificar com eles quase que imediatamente.

A esposa é uma dona de casa que está grávida, enquanto que o marido estuda arduamente para se formar em medicina e se preparar da melhor forma possível para a residência iminente. Enquanto acompanhamos o pacato casal nas cenas seguintes, um jornal televisivo que Mia assistia mostra um importante ocorrido da época, uma estranha família que alcançou publicidade macabra.

Momentos antes da normalidade da situação dar lugar ao terror que esperávamos, o marido presenteia a esposa com uma boneca (aparentemente) rara, para ela adicionar à sua já extensa coleção. Os traumatizantes eventos que se seguem marcam o início da assombração que irá envolver a família durante o longa.

Esse filme é um spin-off de Invocação do Mal, assinado pelo diretor James Wan, nome de destaque do gênero de terror dos últimos anos e que ganhou notoriedade por ser o roteirista e diretor com Jogos Mortais (Saw, 2004) e mais recentemente com Sobrenatural (Insidious) e sua continuação, Sobrenatural: Capítulo 2 (Insidious: Chapter 2).

Wan assumiu a direção de Velozes & Furiosos 7 e deixou o cargo de direção em Annabelle vago para John R. Leonetti, responsável pela cinematografia em três produções passadas dirigidas por Wan: Invocação do Mal, Sobrenatural e Sobrenatural: Capítulo 2, sendo que nos últimos dois ele também foi co-produtor. Leonetti tem uma relação de longa data com o macabro, que data desde a série Contos da Cripta em que foi diretor de fotografia.

O diretor usa sua versatilidade para melhorar o ritmo do filme, como era de se esperar de um profissional com esse passado na área de fotografia. Os closes nos rostos dos personagens na primeira metade são substituidos por tomadas mais amplas, que mostram os ambientes mais espaçosos da nova residência do casal. Em outras partes, os momentos de tensão – algo que é mais árduo de ser construido do que um simples susto – são evoluídos aos poucos, com eletrônicos que se ligam, interferências de rádio e passando para demonstrações mais palpáveis do além, como aparições, presenças indesejadas e outras surpresas.

Uma das novidades na equipe é o roteirista Gary Dauberman que consegue nesse longa sua primeira posição de destaque, tendo auxiliado na produção do novo A Hora do Pesadelo (2010) e em Premonição 5 (2011). O novato desenvolve personagens críveis que se desvencilham do clichê de casal dividido pela crença/descrença dos acontecimentos e costura um enredo que se aproveita da tensão criada em torno do brinquedo maligno, utilizando esse recurso da melhor forma sem exageros.

A história evolui com o passar do tempo e o casal troca sua casa no subúrbio por um apartamento mais espaçoso, capaz de comportar a família crescente em uma cidade mais movimentada. Mesmo assim, eventos inexplicáveis ainda ocorrem e não há alternativa senão buscar respostas em outros lugares, como na igreja ou no oculto. E assim temos a interação com padre Perez (Tony Amendola) líder da paróquia frequentada pelos personagens principais e com Evelyn (Alfre Woodard), dona de uma livraria com uma peculiar acervo.

A expansão do universo em Sobrenatural é realizada através de suas continuações, fato que o próprio título em inglês da produção deixa claro (Insidious: Chapter 2 e Insidious: Chapter 3). Já o conteúdo de A Invocação do Mal possui potencial para ser explorado em longas próprios, criados por quem sabe conduzir uma ótima história de terror. Esse é exatamente o caso em Annabelle, um filme que se suporta como uma produção individual e aumenta a imersão dos casos investigados por Lorraine e Ed Warren.

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