Grim Fandango Remastered

Análise originalmente publicada no Save Game em 03/02/15

http://www.savegame.com.br/grim-fandango-remastered/


Lançado para PC em 1998, Grim Fandango foi o último título de Tim Schafer na LucasArts. O game se juntou a outros lançamentos no mesmo ano cabalístico, como The Legend of Zelda: Ocarina of Time (Nintendo 64), Metal Gear Solid (PlayStation) além de Pokémon Red/Blue (Game Boy), Half-Life (PC), entre outros títulos de peso (Resident Evil 2, Xenogears, Banjo-Kazooie, Spyro the Dragon e The King of Fighters’ 98 só para citar alguns).

Como não tinha um computador (decente) em casa, só consegui jogar alguns dos adventures clássicos dessa plataforma anos depois. Ou seja, as revistas da época (uma Ação Games ou Super Game Power talvez) ajudaram a matar minha curiosidade sobre esse que foi eleito o jogo do ano para PC, de acordo com o GameSpot.

Um misto de surpresa e felicidade foi o que senti ao acompanhar a E3 2014. Adam Boyes subiu ao palco e revelou que a Sony estava trabalhando juntamente da Double Fine para lançarem uma versão remasterizada de Grim Fandangos sabor presunto Fandango. Finalmente eu iria experimentar o tão aclamado adventure que teria até a dublagem original em português.

Aos marinheiros de primeira viagem, a história se passa no mundo dos mortos e acompanha quatro anos na (pós-)vida de Manny Calavera, que possui o ofício de vender pacotes de viagem para os recém falecidos. Domino Hurley, outro vendedor que trabalha com Manny, passa a ficar com os melhores clientes e o chuta para escanteio. Descontente com essa situação, o protagonista busca uma forma de “burlar” as regras e nunca poderia imaginar que essa pró-atividade o levaria em uma aventura.

As principais atualizações nesse remake incluem uma grande melhoria na iluminação, inclusão de texturas em alta definição e trilha sonora orquestrada. O game peca por ter alguns bugs e por seu visual remasterizado não ser tão impressionante, mas possui uma boa seleção de extras e se torna extremamente relevante por apresentar esse marco na história para uma nova geração.

Acompanhamos a jornada de Manny durante quatro anos em sua busca por uma cliente que passa a se tornar um interesse romântico. A mecânica é simples, bastando explorar os cenários, recolher itens espalhados e conversar com os personagens. Conforme o desenrolar dos eventos, você utilizará os objetos recolhidos para liberar novos diálogos e fazer com que a trama prossiga.

Infelizmente, minhas críticas tiveram início antes mesmo de apertar o Options (saudades botão Start) do PlayStation 4 para dar início ao jogo. Quando tentei baixá-lo, fui surpreendido com uma mensagem de erro. Após uma breve pesquisa, descobri que a versão de PS4 estava com um bug que impedia que algumas pessoas o baixassem.

Ao que tudo indica, a Sony está ciente desse defeito (e você pode solucioná-lo aqui), mas isso contribuiu para que minha alta expectativa já fosse minada um pouco.

Ainda sobre as falhas, o título possui alguns bugs, sendo que a a maioria deles até que rende algumas risadas. Em uma parte na floresta petrificada, Glottis (o demônio motorista gigante que se torna seu amigo) simplesmente desaparece e reaparece enquanto que em outra parte, um pequeno cilindro surge ao redor de Manny.

A pior parte dos problemas foi encontrar mais de uma vez um bug em que Manny simplesmente congelou ao acessar o menu de itens, me obrigando a fechar o aplicativo. E ao contrário da maioria dos títulos disponíveis no mercado, esse remake não salva automaticamente, o que me fez perder quase uma hora de progresso. Como já sabia as soluções para os enigmas ao reinicializar o jogo novamente, recuperei rapidamente meu tempo perdido.

Outro ponto negativo é que alguns puzzles só são resolvidos quando Manny estiver em uma posição exata. Caso possua todos os itens para resolver o enigma, pode acontecer que você fique empacado se não falar com uma pessoa em um local específico (estou falando de meros passos para o lado).

Apesar de Grim Fandango ter sido produzido pela LucasArts, esse jogo foi a faísca inicial que Tim Schafer precisava para fundar a Double Fine. Recomendo muito o título, principalmente para aqueles que passaram a conhecer o trabalho da empresa após o Kickstarter lançado em 2012 que arrecadou mais de US$ 3 milhões, resultando na primeira metade de Broken Age (cuja segunda parte será lançada em breve).

Essa remasterização brilha nos extras que incluem alteração da proporção (4:3 ou 16:9); galeria com 98 artes conceituais incluindo até desenhos que não foram utilizados; comentários dos produtores em determinados momentos apertando L1; mudar entre os gráficos da versão remasterizada para o original simplesmente apertando o analógico direito (também conhecido por R3).

Os diálogos, incluindo a dublagem em português, continuam excelentes e ainda são referência em escrita e no seu tom humorístico. Além disso, a solução para os quebra-cabeças faz com que você se sinta (momentaneamente) como a pessoa mais inteligente do mundo.

Tim Schafer fez a seguinte declaração em um dos episódios que acompanham o processo de remake. “Na indústria, eu me lembro, [Grim Fandango] foi usado como prova de porque mais ninguém deve fazer jogos de aventura, mas ele ganhou um monte de prêmios. Ele ganhou o jogo do ano da GameSpot.

Mesmo com algumas falhas, Grim Fandango Remastered prova que seu status como um dos melhores do gênero não era à toa e que adventures vão muito bem, obrigado. O próximo passo agora deveria ser a Double Fine tornar realidade o remake de Full Throttle.

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