The Order: 1886

Análise originalmente publicada no Save Game em 27/03/15

http://www.savegame.com.br/the-order-1886/


Os primeiros minutos de The Order: 1886 são impressionantes. Infelizmente, a primazia visual exibida no início desse título autoral da Ready At Dawn está ausente em outros pontos da obra seja em sua história ou em sua jogabilidade.

O nome da produção se refere a uma sociedade secreta e a narrativa está ambientada em uma Londres vitoriana. Apesar da temática e da escolha geográfica serem interessantes, o game é recheado de clichês e falha na criação de uma experiência recompensadora.

Antes da minha primeira sessão de jogatina, me esforcei ao máximo para ignorar as opiniões alheias enquanto me desapegava de qualquer preconceito . “As pessoas estão exagerando, não pode ser tão ruim assim” foi o que passou pela minha cabeça ao começar a aventura.

No entanto, enquanto encarava os créditos finais subindo após sete horas de jogo, o único sentimento ao meu lado era a frustração. Sinceramente, não acho que a brevidade da campanha seja a maior falha, vide o impacto emotivo emplacado nas quatro horas de Brothers: A Tale of Two Sons.

E até acho que algumas críticas foram um pouco exageradas (minha alfinetada preferida é esse vídeo). Sabe a expressão “desligar o cérebro” atribuída para filmes que te distraem, mas quando você começa a prestar atenção algo não parece certo? Esse é o caso aqui.

O principal problema é que parece que algo está faltando, como o abandono de uma etapa do desenvolvimento, deixando claro o despreparo da Ready At Dawn que correu para finalizar seu título mesmo tendo adiado o jogo (vale lembrar que The Order estava originalmente previsto para ser lançado no ano passado). Ou talvez, questões contratuais acabaram prejudicando a produtora.

Com suas origens enraizadas nas lendas arturianas, a Ordem é uma sociedade secreta composta por homens e mulheres que ganham títulos honorários dos originais cavaleiros da távola redonda. Você controla Grayson, homem que foi honrado com a alcunha de Galahad, o mais puro dos companheiros de Artur nos contos medievais.

O enredo tem início em uma prisão, onde o protagonista é torturado e mantido como prisioneiro em uma masmorra. Com a presença de tutoriais extremamente desnecessários, essa introdução termina com o soldado se jogando ao mar quando a narrativa retrocede algumas semanas para explicar os eventos que levaram o cavaleiro a ser capturado.

Os outros integrantes do esquadrão servem pelos codinomes de Percival(líder da tropa e mentor de Galahad), Igraine (interesse romântico e pupila do personagem principal) e Marquis de Lafayette (novato em treinamento e exemplo mais genérico possível de francês).

A tropa vai até o bairro de Whitechapel logo nos primeiros capítulos para dar conta de tropas rebeldes. Assim que passamos a explorar as ruas da capital britânica, outra falha aparece. Os poucos NPCs dos cenários não reagem com sua presença, tornando seu passeio pelas vielas em uma espécie de jornada pelo purgatório. Ninguém interage com você, cumprimenta ou reconhece sua presença. O máximo que consegui após encaradas e trombadas foi um olhar de desdém atravessado.

A datada mecânica de esconde-esconde em muretas tentando acertar os adversários enquanto se desvia dos tiros inimigos ainda se faz presente, provando que não há novidades na jogabilidade. Minha maior surpresa nesse quesito aconteceu durante um combate contra um lobisomem.

Relevei a simplicidade dos comandos dessa luta porque ela funcionou, até me deparar com outro confronto que funcionava exatamente da mesma forma. Por falar nos Lycans, a inteligência artificial (na dificuldade normal) dessas seres fantásticos é muito ruim. Essas criaturas são tão gentis que após derrubar Galahad em uma investida, elas simplesmente recuam e esperam pacientemente até você levantar. Nunca me deparei com lobisomens tão educados.

As armas usadas em combate, assim como todos os equipamentos da Ordem, foram projetados por Nikola Tesla, que realmente estava vivo em 1886 e trabalha como o “Q” da organização. Inclusive, o panfleto acima (uma propaganda para o icônico embate entre Tesla e Edison) é um dos exemplos dos itens espalhados pelo cenário que podem ser obtidas e inspecionados pelo jogador.

Infelizmente, não há um Codex ou um menu em que seja possível ver as informações coletadas ao longo da aventura. Isso é uma pena porque existem jornais, fotos, panfletos, diários náuticos entre outros conteúdos que acabam esquecidos por não serem apresentados de uma forma apropriada.

Além desses colecionáveis, The Order possui também logs de áudio, os únicos itens que são possíveis de serem vistos através de uma opção no menu. O universo presente em The Order: 1886 é interessante e a direção de arte é um de seus pontos altos, principalmente na construção dos cenários e no design das roupas e armaduras dos personagens.

Voltando ao pai da corrente alternada, Tesla é o maior exemplo de uma figura histórica extremamente rica que foi deveras subaproveitada. A presença de um dos maiores gênios de sua época deveria ser melhor explorada nessa produção, pontuando mais um dos revés do jogo. Charles Darwin, Arthur Conan Doyle Jack, o Estripador (os sórdidos eventos em Whitechapel têm uma grande importância na trama) estão entre outras personalidades históricas que fazem uma participação especial pífia.

Já na conclusão da história, o enredo é interrompido exatamente quando a trama estava se encaminhando para um desenvolvimento interessante. Diversas pontas soltas foram deixadas sem nenhuma explicação e só não entro no mérito de enumerá-las para não estragar a experiência de quem ainda não jogou.

E cabe aqui uma observação sobre a localização do jogo. The Order está totalmente localizado em português e ao contrário de alguns títulos (*COF*Battlefield: Hardline *COF*) sua dublagem foi feita por profissionais do ramo, como é o caso do dublador Orlando Drummond, um dos mais respeitados dubladores vivos da atualidade.

Apesar de todas as falhas (que não são poucas), confesso que anseio pelo próximo trabalho autoral da Ready At Dawn e espero que ela seja mais paciente na hora de entregar seu próximo título. E para aqueles que estavam em dúvida de comprar esse game, eu esperaria ele sair de graça na PS Plus.

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