Axiom Verge

Análise originalmente publicada no Save Game em 27/04/15

http://www.savegame.com.br/axiom-verge


Axiom Verge - Capa Review 2

Podia começar essa análise enaltecendo as várias qualidades de Axiom Verge, mas ao invés disso vou começar falando sobre um cachorro chamado Max, fiel companheiro de Tom Happ. Happ é um desenvolvedor independente que conseguiu algo que poucos alcançam ao criar um game sozinho e lançá-lo para o PlayStation 4.

Em um post publicado em 11 de abril no site oficial do jogo , ele desabafa e compartilha emocionado o falecimento do seu cão que o acompanhou durante mais de cinco anos, quando a produção de Axiom Verge sequer havia começado.

Essa atualização foi ao ar quase duas semanas após o lançamento que alcançou um sucesso de crítica e vendas. Em um parte do artigo, ele declara “(..) eu trocaria todo o sucesso de Axiom Verge só para ter Max de volta.

Não consigo imaginar a tristeza que ele sentiu porque nunca tive um cachorro, mas minha empatia permitiu que eu compartilhasse um pouco da dor de Happ enquanto lia esse post.

A paixão e comprometimento do desenvolvedor ao se dedicar durante todos esses anos em um projeto em que acredita é louvável. E seu trabalho duro compensou porque Axiom Verge já é um destaque de 2015 e um dos melhores games que joguei nos últimos anos.

Por nunca ter tido um melhor amigo canino, só consigo imaginar a dor proveniente da perda do seu fiel cachorro e companheiro. Da mesma forma que nunca joguei Metroid, só consigo conjecturar a emoção de uma pessoa que teve seu primeiro contato com esse clássico ao começar sua aventura pelo título independente motivador desse texto.

Lançado para o NES (Nintendo Entertainment System) em agosto de 1986,Metroid foi um marco na época e a influência da franquia protagonizada por Samus Aran persiste até hoje, estando presente em metade do termo que descreve um gênero inteiro (MetroidVania).

O enredo de Axiom Verge conta a história de Trace, um cientista que foi transportado para outro universo quando um experimento em que estava trabalhando resulta em um acidente terrível. Desnorteado e sem nenhuma certeza sobre onde se encontra, a única alternativa do humano fora de seu habitat é explorar os ambientes e encontrar uma forma para voltar ao lar.

Felizmente, Trace é auxiliado por Elsenova, uma espécie de inteligência artificial consciente que o ajuda em sua aventura pelas terras infestadas por monstros. Conforme o viajante prossegue sua jornada, ele descobre mais da história por trás do passado da raça de sua guia e a história toma um rumo inesperado e surpreendente.

É verdade que a estética do título analisado aqui lembra o clássico do Nintendinho, mas essa pérola indie vai além. As armas que você obtém lhe permitem “hackear os inimigos, alterando seus comportamentos. Além disso, é possível também modificar os cenários usando equipamentos para descobrir áreas secretas e itens escondidos. A conclusão do enredo, tida como falha para alguns por não ser um fechamento digno para o restante da narrativa, apresenta inúmeras interpretações e a quantidade de notas e logs escondidos gera uma ótima discussão entre o que realmente aconteceu; uma debate sempre bem vindo entre o que é verdade e o que é imaginação com uma pitada de física quântica.

Se estiver curioso para experimentar esse jogo, é melhor estar confortável com a ideia de investigar os arredores, voltando à áreas passadas para testar seus novos equipamentos e alcançar caminhos que estavam bloqueados. Ou ainda, buscar passagens inalcançáveis se quiser descobrir todos os segredos escondidos que não são poucos. Assim como o clássico do NES, o backtracking(nome dado para essa característica no game design) está presente e é uma importante característica dessa produção.

Um detalhe interessante é que apesar de não ter vozes, o texto de Axiom Verge está totalmente localizado para o português em uma adaptação feita com carinho pelo brasileiro Danilo Venturini.

E cabe aqui uma confissão. Demorei cerca de 14 horas para concluir a história, mas teve um momento (quando estava com mais de dez horas despendidas) que me vi obrigado a começar um novo jogo porque fiquei perdido, sem motivos para cantar uma bela canção sem saber para onde ir e por isso optei por dar um novo início em minha jornada.

Quando alcancei a parte em que tinha empacado em minha tentativa anterior, o fato de estar mais atento ao meu progresso fez com que eu descobrisse rapidamente o que precisava ser feito e o rota apropriada a seguir.

Axiom Verge possui vários pontos altos, dentre eles as batalhas contra os chefes (minha preferida delas está na imagem que ilustra o início dessa análise), o design das fases (há muitos segredos e seções secretas escondidas pelo mapa), a parte sonora (tanto efeitos como trilha musical) e a narrativa que mistura vários elementos de ficção científica entregando uma história imersiva com um desfecho interessante.

Vale lembrar que esse exclusivo temporário do PS4 será lançado em 14 de maio para PC (via Steam).

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