Mortal Kombat X

Análise originalmente publicada no Save Game em 07/07/15

http://www.savegame.com.br/mortal-kombat-x/


Mortal Kombat, nome do antecessor de Mortal Kombat X, tinha uma proposta extremamente ambiciosa. Caso tenha deixado passar – acontece com os melhores de nós – esse título resetou a história dos três primeiros jogos da franquia com uma pitada de viagem temporal além de matar um dos representantes mais icônicos da série de uma forma bastante “controversa”, para não dizer bizarra.

Quatro anos se passaram até a NetherRealm Studios lançar o próximo capítulo da série, Mortal Kombat X que chegou ao PC, PS4 e Xbox One em 7 de abril e terá versões para PS3 e Xbox 360 em breve. A sombra deixada pela narrativa peculiar se tornou um legado difícil de ser preenchido. A solução encontrada pelo extremamente simpático Ed Boon e sua equipe foi a de apresentar uma renovação no elenco de lutadores, introduzindo assim uma nova geração de defensores do reino da Terra.

Mais do que isso, como o universo nessa obra de ficção é composto por diferentes planos de existência ou reinos (Earthrealm, Edenia, Outworld, Netherrealm, entre outros), nada mais justo do que trazer também novos kombatentes competidores de outros reinos já que o domínio terrestre ganhou novos protetores.

O time composto por Kung Jin (primo de Kung Lao), Takeda (filho de Kenshi Takahashi), Jacqueline Briggs (filha de Jax) comandados por Cassandra Cage (resultado do matrimônio entre Sonya Blade e Johnny Cage antes de se separarem) são o sangue novo incumbidos com a difícil missão de defender nosso planeta e se tornarem relevantes para os próximos jogos.

DA ESQUERDA PARA A DIREITA: KUNG JIN, TAKEDA, “JACQUI” BRIGGS E “CASSIE” CAGE

Sem levar em conta os “convidados especiais” (Predador eJason Vorhees), o jogo analisado aqui traz um total de nove personagens inéditos na série, fazendo com que mais de um terço (cerca de 35%) das escolhas no menu de seleção sejam novidades até para os mais ardorosos fãs da franquia. Como esse gênero não costuma pegar leve com jogadores inexperientes, isso é um elemento importante para incentivar que mais pessoas experimentem esse título.

Assim como seu antecessor, cada capítulo do modo história de Mortal Kombat X acompanha um lutador que deve vencer três ou quatro lutas contra adversários diversos. A narrativa mescla cutscenes com Quick Timer Events (que não punem caso os botões não forem apertados a tempo) e prossegue alternando o controle entre os lutadores até concluir seu enredo após cerca de duas horas.

Sobre as mecânicas, a grande novidade fica por conta das três variações possíveis para cada combatente, aumentando muito as possibilidades de combinação e variação das lutas. Cada lutador possui uma base fixa de golpes, mas dependendo da especialização escolhida, novos movimentos e combos ficarão disponíveis. Apesar de não acompanhar o cenário competitivo de Mortal Kombat X, essa funcionalidade deveria. em tese, tornar as escolhas de “bonecos” em algo mais estratégico.

Outro aspecto que merece destaque está na robusta parte online, que oferece alguns modos interessantes. O tempo médio gasto na procura por oponentes não passa de alguns minutos e a navegação por salas facilita o encontro com pessoas com o mesmo nível que o seu. Devo confessar que durante uma partida no modo King of the Hill (quem perde vai para o final da fila e quem ganha continua), bateu uma nostalgia, aquela saudade gostosa da época dos fliperamas / locadoras de bairro onde a molecada se encontrava para decidir quem era o melhor no MK II ou em outro jogo de luta.

Outra modalidade disponível internet fica por conta dasFactions Wars, dividida em cinco facções (Lin Kuei, White Lotus, Brotherhood of Shadow, Black Dragon e Special Forces), com objetivos semanais e conquista por pontos para decidir qual time será vitorioso ao término da semana.

Saindo da parte online e voltando ao modo single-player, MK X também marca o retorno das Torres com vários desafios diários, semanais entre outras opções como o modo survival. Esse modo permite testar alguns dos novos lutadores antes de decidir por comprá-los.

A Kripta, opção que permite gastar as moedas ganhas durante as lutas para liberar artes conceituais, como Fatality, Brutality, cenários, entre outros conteúdos adicionais, oferece uma experiência interessante. Ao selecionar essa opção, a imagem de um cemitério é exibida em primeira pessoa e deve-se explorar os vários ambientes, procurando por itens que permitam liberar novas áreas (como a corrente do Scorpion para cruzar um desfiladeiro, cortar um obstáculo com o chapéu do Kung-Lao, etc).

O primeiro capítulo do enredo mostra um esquadrão liderado por Johnny Cage (foco da primeira parte da história), Sonya Blade e Kenshi  Takahashi, partindo ao encontro de Raiden que está tentando impedir Shinnok de corromper o centro da força do reino da Terra.

Em seguida somos apresentados a Kotal Kahn, o novo regente de Outworld que assumiu o trono após a queda em combate de Shao Kahn. Os eventos dessa parte se passam cerca de 20 anos após o prólogo e pincela o que podemos esperar do roteiro, com idas e “vindas” entre passado e presente, expandindo assim a história dos protagonistas daquela parte. Outra personagem que aparece em seguida é Mileena, líder de uma insurreição rebelde com o objetivo de depor o Kahn e assumir o poder para si.

Devo parabenizar a NetherRealm pela decisão de mudar os trajes das lutadoras para vestes menos reveladoras. Compare a roupa usada por Sonya Blade em Mortal Kombat e ouniforme que ela veste em Mortal Kombat X. Essa mudança faz total sentido se atentarmos que Sonya agora é general e líder das Tropas Especiais. A própria Mileena, uma das mulheres que sempre se vestiu de forma bem reveladora (não estou exagerando), está usando algo mais “apropriado“.

Felizmente, a relevância das mulheres nesse título não está somente na mudança como se vestem. Alguns dos principais acontecimentos (não detalharei aqui por motivos de: SPOILERS) são feitos pelas lutadoras. Outro detalhe que deve ser lembrado sobre inclusão das minorias com baixa representatividade nos games, é que Mortal Kombat X também possui o primeiro personagem gay da série, Kung Jin.

Muito já foi falado e discutido sobre a dublagem feita pela cantora Pitty para Cassie Cage, mas apesar dessa falha na localização para nosso país, Mortal Kombat X consegue manter a qualidade da história apresentada no título anterior da série e se firma ainda mais com o principal representante ocidental no gênero de jogos de luta.

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