A “geração dos remakes” é algo ruim?

Artigo originalmente publicado na Ivalice em 23/07/15

http://www.ivalice.com.br/artigo/remakes/


A edição desse ano da E3 veio e além de novas propriedades intelectuais, as empresas presentes anunciaram mais versões remasterizadas de jogos antigos (ou não tão antigos assim) paraPlayStation 4 e Xbox One. Motivado pela chegada iminente de mais remakes/remasters/versões em HD, etc, esse artigo foi criado para tentar responder à pergunta que serve como título do post.

As sete principais edições novas de jogos antigos presentes durante a E3 estão listadas abaixo e servem para exemplificar a importância destes anúncios durante um dos principais eventos do ano para o mercado, lembrando que um dos trailers mais “celebrados” foi o de um remake de um passado esquecido, também conhecido por Final Fantasy VII Remake.

Remakes presentes durante a E3 2015

– Gears of War (Xbox One)
– Rare Replay (Xbox One) – coletânea que inclui 30 títulos da Rare
– Final Fantasy VII Remake (PS4 e futuramente para outras plataformas)
– Heavy Rain (PS4)
– Beyond Two Souls (PS4)
– Mega Man Legacy Collection (DS, PC, PS4, Xbox One)
– EarthBound Beginnings (Wii U)

O que é a geração dos remakes?

Antes de mais nada, acho importante deixar claro o que significa (para mim) a expressão “geração dos remakes“. Considero um remake quando um título que foi lançado para uma plataforma de uma geração passada (eg. Super Nintendo, PlayStation, Dreamcast, Nintendo 64, etc) fica disponível para a geração atual, PlayStation 4, Xbox One e Wii U.

Infelizmente, essa descrição é bem abrangente e coloca na mesma categoria jogos como DuckTales (lançado para o NES em 1989) e seu “relançamento” DuckTales: Remastered (2013), assim como The Last of Us (lançado para o PS3 no mesmo ano) e The Last of Us: Remastered, versão remasterizada do jogo desenvolvido pela Naughty Dog que ficou disponível em julho de 2014 para o PS4.

Para tentar melhorar esse rótulo, a explicação mais apropriada para remake talvez seja: quando um jogo é relançado para outra plataforma com uma qualidade melhorada e conteúdos adicionais, diferenciando assim do game original.

Além disso, do ponto de vista de um estúdio, lançar uma versão do seu projeto para uma nova plataforma pode fornecer uma experiência valiosa para os desenvolvedores usarem nos projetos seguintes. Foi o que aconteceu com a Naughty Dog.

Neil Druckman, diretor criativo da empresa, compartilhou em uma entrevista para o Gamespot publicada em junho desse ano o quanto ter trabalhado em The Last of Us: Remastered ajudou sua equipe a se familiarizar com o ambiente do PS4 e garantir o nível de qualidade mostrado pela empresa em Uncharted 4.

2015: Year of the Remastered Definitive Edition

Quando os lançamentos de 2014 são analisados, mais de dez produtos foram versões em alta definição de títulos já lançados. Essa lista inclui Assassin’s Creed Liberation HD, Tomb Raider: Definitive Edition, Resident Evil 4: Ultimate HD Edition, Final Fantasy X/X-2 HD Remaster, Castlevania: Lords of Shadow – Mirror of Fate HD, Diablo III Ultimate Evil Edition, Pier Solar HD, Kingdom Hearts HD 2.5 Remix, Oddworld: Munch’s Oddysee HD, The Last of Us Remastered, Metro Redux, Sleeping Dogs: Definitive Editions, Pokémon Omega Ruby e Alpha Sapphire e outros, que muito provavelmente ficaram de fora.

O ano de 2015 mal passou da metade e as edições remasterizadas não paramnão param não param não, até o chão de ser anunciadas. Alguns dos remakes já lançados esse ano incluem Borderlands: The Handsome Collection, Grim Fandango: Remastered, Heroes of Might and Magic III: HD Edition, Dark Souls II: Scholar of the First Sin, Legend of Kay HD, Saints Row IV: Re-Elected, God of War III Remastered, Devil May Cry 4: Special Edition, Final Fantasy Type-0 HD, Resident Evil HD Remaster, DmC: Definitive Edition, entre outros e lembrando que essa terça (21) Journey chegou ao PS4 e até o fim do ano teremos Uncharted: The Nathan Drake Collection.

Não se mexe em remake que está lucrando

Essa enxurrada de títulos disponíveis para PS4 e Xbox One é preocupante, principalmente ao realizarmos um paralelo com a geração passada (PS3 e Xbox 360). Segundo a revista Wired, 2007 representou o segundo ano no ciclo de vida do Xbox 360 e alguns dos jogos lançados naquele ano incluíram Assassin’s Creed, BioShock, Crackdown, Portal, Rock Band, Call of Duty: Modern Warfare e Mass Effect, só para citar alguns.

Seguindo essa comparação, 2015 também é o segundo ano do Xbox One e apesar da briga pelo título de jogo do ano prometer muito sangue, boa parte dos competidores não são de franquias novas (The Witcher 3, Arkham Knight, Metal Gear Solid V: The Phantom Pain, Just Cause 3, Assassin’s Creed: Syndicate), são continuações de propriedades já estabelecidas, só comprovando quando se trata de produções com muito dinheiro envolvido, os tomadores de decisão optam por investir em títulos que já tenham conquistado seu público do que se arriscar e tentar algo novo.

A Capcom é talvez a empresa que melhor personifica a preferência por lançar remakes ao invés de se arriscar com uma nova propriedade intelectual, por mais que Street Fighter V tenha alguns conceitos inovadores para a franquia, como um sistema de atualização que dispensa edições futuras (ADEUS SUPER STREET FIGHTER ARCADE: TURBO MODE BOTECO DA ESQUINA EDITION).

Segundo uma matéria publicada pelo IGN em maio desse ano, a desenvolvedora japonesa está priorizando remakes em alta definição de seus jogos de sucesso conforme uma declaração feita em uma sessão de perguntas e respostas durante uma reunião financeira.

Versões remasterizadas em HD dos nossos títulos aclamados de catálogo representam uma de nossas atividades chave de negócio.

Levando em consideração que Resident Evil HD Remaster se consagrou como o título digital da Capcom que mais rápido vendeu na América do Norte e na Europa além de quebrar o recorde de vendas na PSN em seu dia de lançamento, não é de se espantar que a empresa siga essa estratégia.

Antes de tecer comentários maldosos sobre a estratégia da desenvolvedora japonesa, deve-se lembrar que a indústria de games é exatamente isso, uma indústria em que, assim como todas as outras, o dinheiro fala alto.

E o fator emocional, como fica?

Quando se tratam de negócios, um aspecto que eventualmente acaba sobrepondo o fator emocional é o lado financeiro e quando se trata de games (assim como outros produtos de entretenimento), é muito difícil não ser passional sobre suas obras preferidas.

Por mais que muitas pessoas torçam o nariz para remakes e edições remasterizadas, confesso que tenho um certo apreço por esses “novos lançamentos” (perdoem a redundância) principalmente porque eles oferecem uma nova chance para os consumidores conhecerem uma obra que não conseguiram se dedicar há alguns anos.

Olhando pela ótica de outros mercados culturais, as versões em alta definição são o paralelo dos games para mudança de DVD para Blu-Ray da indústria cinematográfica ou álbuns remasterizados para o mercado fonográfico.

Os remakes tornaram possível experimentar Grim Fandango no seu PS4 (ou PC) incluindo sua dublagem original e impecável para português, encarnar Chris Redfield ou Jill Valentine e esmiuçar cada canto da mansão em Resident Evil HD Remaster ou ficar com cãimbra na barriga de tanto rir ao jogar Conker’s Bad Fur Day no seu Xbox One quando Rare Replay for lançado.

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