Foul Play

Análise originalmente publicada na PlayTV em 04/10/13

http://gametv.com.br/games/analise/foul-play


Foul Play é o resultado em forma de um jogo do que aconteceria ao misturar Shakespeare com Streets of Rage. Esse título é um beat’em up que se passa em um teatro, ou seja (quase) todas as lutas, por mais realistas que pareçam são na verdade ensaiadas. Assim como os estágios do jogo, mais de 20 atos, que mostram desde desertos egípcios até a cidade submersa de Atlantis na verdade são mudanças de palco.

Bata nos seus inimigos, como um gentleman

O protagonista dessa peça se chama Baron Dashforth, um renomado demonólogo britânico que é o mestre de cerimônia e ator principal desse jogo teatral. Ao longo do game, Dashforth reproduz para a plateia as cinco maiores aventuras de sua vida, todas elas vividas ao lado de seu amigo e aprendiz Scampwick. Ao contrário de Dashforth, que é um verdadeiro gentleman – ele até usa monóculo, cartola, relógio de bolso uma bengala para atacar – Scampwick é um humilde limpador de chaminés. Mas não se engane por sua aparência ou sua origem simplória, pois ele é realmente um ninja com sua arma e é tão hábil quanto o personagem principal.

Em termos de jogabilidade, Foul Play inova por ser um beat’em up em que os personagens não possuem uma barra de vida. Ao invés disso, o jogo utiliza uma barra chamada de Mood-O-Meter que mede o entusiasmo da plateia com o espetáculo, conforme você for dando golpes e emendando combos nos seus inimigos sem errar.

Caso a dupla de caçadores de demônio perca o ritmo do combate por muito tempo, o público irá vaiar e as cortinas fecharão, encerrando essa peça, na versão desse jogo de Game (ou Play) Over. Embora o conceito por trás dessa mecânica seja bem interessante, eu não achei que ela funciona apropriadamente, especialmente com o combate do jogo. Mas falarei sobre isso logo mais.

Lutar ou lutar? Eis a questão (só que não)

Ao passar por cada fase, nomeadas de “Play” (peça), você libera novos golpes para facilitar as pelejas contras os demônios e seus asseclas nas fases seguintes. Além disso, cada peça possui cinco atos e cada ato possui três desafios para você completar e ganhar ainda mais palmas e o amor da plateia.

Caso você consiga completar esses desafios irá liberar um acessório para seu personagem, que pode equipar até dois desses itens ao mesmo tempo. Esses acessórios oferecem benefícios como perder menos da atenção da plateia ao derrubar um sequência de golpes ou quando você dá parry nos golpes dos seus adversários ganha um combo de três hits, entre outros benefícios. Os desafios consistem em completar três atividades como por exemplo matar o líder dos inimigos por último, matar o chefe em um tempo determinado e executar um golpe 75 vezes ao longo do estágio, etc.

No entanto, não há uma opção nos menus durante o jogo que exiba a lista de comandos para você consultar. Isso complica bastante a vida quando você deve executar um golpe sem menos saber qual golpe é esse. O único lugar onde seus movimentos são exibidos é em seu diário, no menu principal.

Ou seja, você precisa decorar o nome e o que cada um dos seus movimentos fazem. Além disso não ser nem um pouco prático, desestimula a fazer os desafios, ainda mais porque completar duas das três tarefas necessárias não será necessário para liberar o acessório. Você terá que passar novamente pela fase, completar as três tarefas para desbloquear o item.

Sejam bem vindos ao maior espetáculo da Terra

Ainda sobre o combate, achei ele extremamente repetitivo e sem adição de novas mecânicas, não simplesmente um novo golpe que não será  muito usado, ao longo do jogo, tornando o combate entre o demonólogo e a horda de demônios que invadem nosso mundo através de um portal maligno em uma tarefa tediosa de apertar botões. Mas é importante ressaltar joguei Foul Play sozinho e acredito piamente que ele seja bem mais divertido em dupla, seja no multiplayer local ou pela Live.

Apesar da jogabilidade de Foul Play ter me decepcionado – principalmente porque o último beat’em up que joguei foi Charlie Murder – um aspecto que me impressionou bastante foi a arte dos cenários e dos inimigos do jogo. Como já mecionei anteriormente, esse game na verdade é uma peça de teatro e portanto o ambiente muda como em um teatro, com roldanas elevando o cenário de fundo e os adversários (ou atores usando roupas de demônios) sendo removidos por uma bengala ou se arrastando para sair do palco sempre que você eliminar todos os inimigos da tela. Além da arte, a trilha sonora do jogo também me cativou, principalmente por ser orquestrada se encaixando muito bem com a ambientação teatral.

Demonologia: um ofício passado de pai para filho

O ponto alto de Foul Play, para mim, está em sua história e na quantidade de material extra disponível. No menu inicial você tem acesso a três diários, ao de Dashforth que narra alguns dias importantes de sua jornada, ao de Scampwick que serve como um bestiário que contém as artes conceituais dos monstros do jogo juntamente com uma descrição sobre a melhor forma de combatê-los. Além desses dois diários, o terceiro livro que está disponível pertence a Horatio Dashforth, pai do protagonista e que ensinou seu filho a combater as criaturas demoníacas.

Por fim, a Mediatonic entregou um daqueles jogos em que você fica curioso para saber como será o próximo título que eles farão, pois a empresa tem muito potencial. Pena que Foul Play não tenha me agradado tanto quanto eu gostaria que ele tivese me entretido, mesmo que o jogo tenha um Bearnicorn, um monstro que é a mistura de um unicórnio com um urso.

Contemplem o poderoso Bearnicorn!

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