Charlie Murder

Análise originalmente publicada na PlayTV em 10/09/13

http://gametv.com.br/games/analise/charlie-murder


O gênero Beat them Up sempre teve uma relação muito próxima com a música de suas fases. Quem não lembra do clássico tema do primeiro level de Streets of Rage 2, a famosa e sensacional Go Straight? (caso não se lembre, abra o Youtube e procure essa música imediatamente. Vai por mim.)

E em Charlie Murder a importância da música com esse gênero toma uma outra dimensão nesse game que mescla com sucesso um brawler com pitadas de RPG. Lançado durante a Summer of Arcade (Winter of Arcade aqui pelo Brasil) juntamente com Brothers, Flashback e TMNT: Out of the Shadows, a história desse título gira em torno dos membros de uma banda de punk rock que devem lutar contra zumbis e outros monstros que foram liberados pelo familiar vilão Lorde Mortimer que estão causando o “Punkapokalypse”, aterrorizando a cidade toda.

No decorrer da história você enfrenta diversos lacaios de Mortimer, inclusive lutando contra os integrantes de sua banda. Inclusive, a jornada da narrativa tem fim em um parque de diversões, durante uma batalha das bandas onde a banda Charlie Murder (pegou? pegou?) deve combater o ardiloso grupo do vilão.

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Punk como estilo de vida (e de jogabilidade)

No início do jogo você possui cinco personagens disponíveis, cada um destes sendo um dos integrantes da banda que dá o nome ao jogo. Por exemplo, o vocalista (e protagonista) Charlie é um Berzerker que possui habilidade de gritar e causar danos especiais, segurar duas armas ao mesmo tempo, etc. Enquanto que o baterista é o Tank clássico, mais resistente a dano, que pode levantar grandes objetos, aumentar de tamanho e assim por diante. Cada um dos integrantes da banda possuem peculiaridades específicas.

Além das classes dos personagens serem sua função na banda, outros elementos de música estão presentes nesse jogo. Como por exemplo, um dos status que o permite usar os poderes especiais se chamar Anar-Chi (brincadeira gramatical com Anarchy, Anarquia em inglês).

Outro aspecto interessante em como Charlie Murder absorveu características do Punk é que para liberar novas habilidades especiais deve-se visitar lojas de tatuagens e gastar seu dinheiro marcando permanentemente seu corpo, o que libera novas “magias”. Caso você queira exibir as tatuagens que estão por baixo de seus roupas, é possível tornar sua camisa (camiseta, colete ou até o suéter da vovó) invisível, mas sem perder seus  benefícios de status.

Capitalismo For The Win!

Por falar em lojas, nesse jogo não faltam estabelecimentos para você gastar o dinheiro que ganha após derrotar seus adversários. Em Charlie Murder você pode visitar lojas para criar cerveja, comprar CDs, visitar Pet-Stores e passear por lojas de roupas, várias lojas de roupas. O mapa do jogo é bem grande e as vestimentas que você compra são um dos elementos de RPG presentes, onde cada item de vestuário oferece benefícios característicos. Portanto, é interessante ficar de olho nos seus equipamentos para ver se é possível melhorá-los. Até a cor no nome dos itens muda conforme sua raridade, por exemplo roxo é mais raro que amarelo que por sua vez é mais raro do que branco e por aí vai.

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Ao total você pode equipar três equipamentos: uma luva (ou corrente, soco inglês, etc), uma camisa (ou colete, suéter, etc) e um chapéu, exemplificado na foto acima referenciando o outro excelente jogo independente Dust: An Elysian Tail. Além de usar esses objetos, você pode também equipar dois acessórios, esse número pode ser aumentado no futuro, que concedem habilidades especiais, inclusive permitindo o acesso a áreas e quests especiais (#Protip: compre o ingresso de cinema e o item que o permite respirar debaixo d’água).

Caso queira fazer o final bom do jogo, recomendo que você aumente sua quantidade de acessórios e faça todas as missões adicionais. Esse final vale muito a pena. E apesar do final ruim ser depressivo, ele fornece uma dimensão maior para a história do jogo além de dar uma vazão muito grande da interpretação sobre o que realmente aconteceu com Charlie no início desse game.

Como melhorar um RPG? Punk, side-quests e jogar de galera!

Infelizmente passei pela maioria da minha campanha sozinho. No entanto, durante as poucas partidas em que me juntei a outras pessoas, minha jogatina foi muito mais divertida. Portanto, recomendo juntar seus amigos e jogar Charlie Murder de galera, como todo brawler deve ser aproveitado. Esse jogo tem sessões de música (no melhor estilo Guitar Hero), skate, destruir seu quarto de hotel, shoot’em up, entre outras partes que serão ainda mais divertidas com seus amigos ainda mais que com o grupo completo subir de level não será uma tarefa tão árdua.

Há também um modo onde os jogadores devem se enfrentar, o famoso PvP (Player versus Player), em arenas em combate até a morte. Como o que me atrai em um jogo não é o co-op competitivo e sim o co-op coperativo optei por não entrar nesses ringues virtuais.

Quando você está jogando com outras pessoas, quando alcançar um número de ataques sem levar dano, pode se juntar aos outros músicos para formar um robô gigante ou fazer outro ataque especial. Esses golpes especiais causam bastante dano nos adversários e forçam você a lutar inteligentemente contra seus inimigos para usar esses ataques repetidamente.

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Punkeiros também precisam salvar

Infelizmente, Charlie Murder não é perfeito. Ele possui bugs bem frustrantes principalmente para salvar seu progresso, algo que em um brawler com vários níveis e inimigos a rodo chega a ser quase inadmissível. Logo após eu matar dois chefões (o que, jogando sozinho não é uma tarefa trivial) deu-se início a uma cinemática que encerraria a fase após terminar. No entanto, meu personagem foi preso por um inimigo, e eu devia apertar rapidamente um botão para salvá-lo. Como a cinemática estava acontecendo, a interface onde eu tinha que apertar o botão não funcionou corretamente o que resultou em minha morte, e eu tive que começar o level do início.

Isso sem contar na demora para formar um grupo para jogar com outras pessoas pela Xbox Live ou quando parei de jogar em uma fase e ao ligar novamente meu Xbox percebi que o progresso não foi salvo. Mesmo que eu tenha visto o ícone do save automático no canto direito da tela antes de desligar meu console

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Um celular mais útil que qualquer iPhone

Apesar de alguns bugs, esse jogo possui uma mecânica que eu achei genial: como o celular do seu personagem é uma parte essencial da jogabilidade. Nele você vê sua barra de experiência para o próximo level, o que no jogo é mostrado como a quantidade de seguidores que você tem no Twitter. Além de exibir seu progresso para subir de nível, seu celular permite ler e-mails dado que ao longo do jogo você recebe dicas de um amigo e mensagens “amistosas” de Lord Mortimer.

Outro ponto interessante que seu celular permite é tirar fotos dos QR-Codes (aquelas imagens quadradas em preto e branco) dos seus arredores liberando itens, dinheiro e ganho de experiência. O último aspecto habilitado por seu celular é escolher as habilidades que seu personagem terá (usar duas armas ao mesmo tempo, aumentar a quantidade de itens que você consegue carregar em sua mochila, permitir a você segurar mais acessórios, etc) e distribuir pontos em seus status quando você sobe de nível.

Desenvolvido pela Ska Studios, estúdio responsável por The Dishwasher: Dead Samurai e The Dishwasher: Vampire Smile, Charlie Murder é o décimo quarto jogo dessa empresa independente que foi fundada em 2001 com Zombie Smashers X. Pela quantidade de fases, itens e personagens, esse jogo talvez tenha sido um projeto muito ambicioso para uma empresa independente.

Independente dos bugs, se você gosta de beat’em ups, música punk e ska, brutalidade explícita e jogar com seus amigos, não pode deixar passar Charlie Murder, o jogo da banda Punk mais hardcore de todas. A propósito, recomendo fortemente o álbum com 37 músicas desse jogo. E sabe a melhor parte disso? Você pode pagar quanto quiser para obtê-lo. Afinal de contas, (in)felizmente, espancar pessoas aleatórias pela rua na vida real não nos dá dinheiro.

Veja abaixo o trailer oficial de lançamento do jogo para ter um gostinho ainda maior de como essa loucura musical funciona e é extremamente divertida.

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